14 de jan de 2009

Entrevista com o Vampiro (1976), Anne Rice

As histórias de vampiros sempre fascinaram e continuam a vender como se fossem novidade. De fato, releituras do mito costumam ser interessantes (com algumas muitas excessões, é verdade).

Mas os vampiros de Anne Rice estão, a meu ver, em outra categoria. Ao ler obras mais recentes como Morto até o anoitecer*, vemos claramente a diferença de estilo, público e profundidade da narrativa, que paira sempre na superficialidade dos personagens e da temática.



Entrevista com o Vampiro foi escrito em poucas semanas, após Anne Rice ter perdido sua filha, que morreu de leucemia em 1972.

Acabo de reler Entrevista com o Vampiro, desta vez no original, em inglês. Segue um resumo desta primeira história.

Breve Resumo

Um jovem jornalista se vê diante de Louis Pointe du Lac, que afirma, e efetivamente comprova, ser um vampiro nascido no século XVIII. No relato gravado pelo jovem, Louis conta como vivia antes de se transformar em Vampiro. Em uma fase decadente de sua vida, atormentado pelo suicídio do irmão, pelo qual se julga culpado. Surge para ele Lestat de Lioncourt, um vampiro francês - o primeiro a chegar em solo americano.



Transformado em vampiro por Lestat, Louis descreve ao jornalista seus primeiro anos como imortal. Sua narrativa é carregada da angústia e dos questionamentos filosóficos que são a marca deste personagem, um vampiro com espírito humano.

Em uma noite em que vagava faminto, se alimentando de ratos, Louis ataca uma criança cuja mãe jazia morta em um local abandonado. A criança era Cláudia, que é deixada por Louis à beira da morte. Lestat a transforma em vampiro para manter Louis consigo. Talvez implicitamente para dar a ele um sentido para sua existência.

Transformada em vampiro quando criança, Cláudia não poderia crescer. Amadurecida naquele corpo, anos se passaram até que decidisse que ela e Louis iriam atrás de outros vampiros, em busca de respostas negadas por Lestat a eles. A criança, muito mais maliciosa e manipuladora do que Louis jamais viria a ser, arma uma armadilha para Lestat, que retorna para se vingar, mas é impedido por Louis. Este e Cláudia fogem para a Europa e iniciam uma peregrinação pelo Velho Mundo, à procura de outros imortais. Tudo que encontram são lendas infundadas e seres tenebrosos, semi-vampiros débeis e imperfeitos, sem consciência.

Assim, vão para França e são encontrados por Armand, o vampiro mais antigo de que se tinha notícia. São levados ao Teatro dos Vampiros, um local em que estes mesmos subiam ao palco e ludibriavam os humanos com apresentações surreais. Sua busca chegava ao fim, mas suas perguntas se revelam sem respostas.

Armand quer tornar Louis seu companheiro. Cláudia pressente o perigo, principalmente por tomar conhecimento que um dos crimes capitais entre os vampiros era matar alguém de sua própria espécie. Em uma noite Cláudia é levada cativa juntamente com Madeleine, uma mulher que Louis transforma, a pedido de Cláudia, pois esta sentia que seria trocada por Armand e não desejava ficar sozinha. Louis é aprisionado, não antes de ver Lestat reaparecer no Teatro, sem conseguir evitar o mal que estaria por vir. Louis, para seu desespero, descobre que Cláudia havia sido morta. Ele nunca se recuperaria do ocorrido.

Como vingança, Louis, com a ajuda de Armand, coloca fogo no Teatro dos Vampiros. Ele passa a viver com Armand e, apenas muito tempo depois, descobre que Lestat não havia sido pego no incêndio. Descobre também que Armand era o verdadeiro algoz de Cláudia.

Ele volta à Nova Orleans e descobre Lestat vivendo oprimido em uma velha casa fétida, ofuscado pelas luzes do novo século, incapaz de se adaptar à mudança dos tempos.

O relato de Louis termina, mas ao contrário do que este esperava, o jovem repórter se mostra fascinado com a idéia da vida eterna. Irado, Louis o abandona, inconsciente. Assim que volta a si, o jovem rebobina a fita ao ponto em que Louis descreve o local em que encontrou Lestat...


O filme

Entrevista com o Vampiro, de 1994, recebeu 2 indicações ao Oscar: Melhor Direção de Arte e Melhor Trilha Sonora. Foram também 2 indicações ao Globo de Ouro, de Melhor Atriz Coadjuvante (Kirsten Dunst) e Melhor Trilha Sonora. Além de não ter levado os prêmios (Kirsten Dunst foi ótima realmente e a trilha sonora é sensacional), Tom Cruise, como Lestat, e Brad Pitt, como Luis, ganharam o Framboesa de Ouro de Pior Dupla - uma injustiça. É fato que, ao saber que Tom Cruise havia sido escolhido para o papel, Anne Rice declarou-se decepcionada. Após assistir ao filme, a escritora fez um pedido público de desculpas, reconhecendo o bom desempenho do ator como o anti-herói.

* Dead Until Dark (2001), livro de Charlaine Harris, que inspirou a série True Blood (2008).

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