1 de mar de 2011

Como não misturar livros "sérios" com livros "bobagem"

Nos últimos meses embarquei numa maratona de leitura. Comprei todos os volumes das eras, de Eric Hobsbawm. Desejo antigo... Estou no final da “Era das Revoluções”. Também reli “Minha Formação”, do qual já falei aqui. “Raízes do Brasil” foi outro clássico nacional que devorei. Creio ter tido contato com um capítulo ou outro na faculdade, mas estou certa de que àquela época não lhe dei a devida atenção. Foi uma leitura que fluiu do início ao fim. O mesmo não aconteceu com “Território e História no Brasil”, que trata da importância da História para a análise de questões geográficas. Bom livro, mas peca pela falta - surpreendente - de revisão. Os erros me incomodaram profundamente. Devo estar com o olho muito bom, pois os tenho achado também no decorrer da leitura de “História das Relações Internacionais Contemporâneas”. Problemas de revisão são inaceitáveis em um país que cobra preços tão exorbitantes pelos livros.

Meu mês de fevereiro foi permeado por estas obras de peso. Mas, para balancear, ouvi a versão em audiolivro de 1808, que estava na minha lista de "curiosidades". A impressão foi a mesma que tive quando li "Guia politicamente incorreto da história do Brasil". Não tem rigor científico, ou referências confiáveis e selecionadas por critérios claros. Trata-se, em ambos os casos, da boa (ou não), velha, prática e conveniente pesquisa jornalística. Por estar lendo simultaneamente obras tão consagradas, e autores como Hobsbawm, ficou difícil dar crédito a 1808, lotado de reducionismos e relatos duvidosos, feitos para entreter. Entretenimento bem sofrível, além de tudo.

4 comentários:

  1. Acrescente à sua experiência de leitura o fato de você ter se tornado oficialmente uma pesquisadora, mais especificamente mestre (em um curso de pós-graduação strictu sensu reconhecido pela CAPES). Além disso, considere também sua experiência como professora.

    Depois dessas experiências, fica muito difícil simplesmente "engolir" toda a informação a que se tem acesso. Principalmente nos dias atuais, nos quais a informação é abundante.

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  2. O livro do Leandro Narloch é sério sim, apesar do tom provocativo. E baseado em pesquisas recentes e documentos de época. Acontece que como ele vai contra muitas "verdades" que nos são ensinadas desde os bancos escolares, fica difícil aceitar à primeira vista. Mas é um ótimo livro sim.

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  3. Ah... pegando as referências e a forma como ele as escolheu, tem muita coisa meio aleatória... De qualquer modo, você tem razão... o livro tem seu valor sim. Só que eu acabei não curtindo muito por estar lendo obras histórias mais "acadêmicas". :)

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  4. Ei, vc anda fazendo revisões de livros como freela?

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